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Song History
Segunda-feira, Junho 21, 2004:
Os Cegos Do Castelo
''Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor...''
Olhou mais uma vez para aquele lugar que há muito tempo serviu como seu lar...
Estava perdido.
Resolveu ligar pra sua mãe, já que ela foi a primeira a falar que não gostaria de vê-lo ali mas, como era boa mãe, tinha aceitado bem a sua decisão de ir para lá.
''...Eu não enxergo mais o inferno
que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou...''
Era a segunda vez em sua vida que tinha escutado tanto amargor na voz da sua velha mãe... A primeira vez foi quando resolveu sair do lar. Na época havia sido duro pra ela, já que ele era o único filho que ela tinha. Filho de um Milagre, como ela mesma havia falado tantas vezes.
O ''Milagre'' aos 18 anos resolveu seguir seu caminho bem longe de casa e ao comunicar isso aos parentes foi uma surpresa geral...
Mas já havia passado 27 anos... 27 anos em que toda essa historia começou e hoje, ele havia decidido acabar e começar outra... e mais uma vez escutou aquela voz triste da mãe...
''...A pé até encontrar
Um caminho
O lugar
Pro que eu sou...''
Entrou no seu quarto, olho tudo muito bem e resolveu descansar... talvez fosse a última noite que dormiria lá.
As horas se arrastavam e , como se ele estivesse à beira da morte, sua vida foi passando lentamente por sua cabeça, quadro-a-quadro. Ele pode reviver, cada sentimento, cheiro, sensação...
...''Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol...''
Levantou, juntou as poucas roupas que tinha, colocou tudo na sua antiga mala de viagem e deu o último telefonema...Tinha que esperar mais meia hora até sair dali definitivamente... Sentou na cama, olhou o quadro que havia no quarto e ficou a esperar...
''...Eu não espero que um revolver venha
explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
que restou...''
O telefone tocou, ela já estava a sua espera... Ele levantou-se, deu a ultima olhada e chorou... Lembrou do mundo que o esperava e enchendo-se de coragem, saiu...
''...E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
Se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar
Eu cuidarei dele...''
Ela estava lá, na porta. Ele ficou parado por um momento, olhando aquela mulher com seu vestido longo, seus cabelos soltos e aquele sorriso que o fez desistir da sua vidinha segura e pacata .
Atravessou a rua, e depois de um oi, a beijou e entrou no carro...
-Vamos? Ela perguntou ao perceber o olhar dele perdido em direção a igreja.
-Vamos.
''...Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar
Eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim...''
Musica: Os Cegos do Castelo
Letra: Nando Reis
SONIA SILVA // Segunda-feira, Junho 21, 2004
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Quinta-feira, Abril 29, 2004:
Song-fic: My Imortal - Evanescence Anime: Gundam Wing Casal: Duo e Heero Autora: Litha-chan E-mail: litha_2003@yahoo.com.br Data: 22/12/03.
My Imortal...
(Meu Imortal...)
I'm so tired of being here
(Estou tão cansado de estar aqui)
Suppressed by all of my childish fears
(Reprimido por todos os meus medos infantis)
And if you have to leave
(E se você tiver que ir)
I wish that you would just leave
(Eu desejo que você vá de uma vez)
'Cause your presence still lingers here
(Porque a sua presença ainda persiste aqui)
And it won't leave me alone
(E ela não me deixa)
Por que? Por que as coisas tinham que terminar assim? Você tinha que fazer isto? Por que você não volta para mim? Sei que errei, que magoei seus sentimentos... é tão doloroso ficar sem você. Ficar perto mas não poder lhe tocar, não poder sentir o calor de sua pele... Eu deixei de ser a máquina perfeita depois que lhe conheci. Você me ensinou a viver, a olhar a vida com outros olhos, a sentir e a compreender as novas coisas que acontecia comigo, a compreender os meus medos e a senti-los, você me deu uma vida, mas agora estou abandonado por você. Estou cansado de tudo, tão cansado. Você se foi de minha vida por minha causa, mas ainda continua tão perto.
These wounds won't seem to heal
(Essas feridas não vão cicatrizar)
This pain is just too real
(Essa dor é bem real)
There's just too much that time cannot erase
(Há muita coisa que o tempo não pode apagar)
Heero estava largado na cama fitando o teto e deixando suas lágrimas verterem intensamente. A uma semana que estava assim, entregue ao abandono, entregue ao sentimento de solidão. Tinha estragado tudo com a pessoa que mais amava e tudo isto por que tinha sido arrogante, estúpido, grosso e violento. Sua mente doía por lembrar o ocorrido... Estava no seu laptop como sempre fazendo um relatório de segurança para uma das empresas de Quatre e tinha prazo de entrega; como sempre Duo estava lhe perturbando querendo um pouco de atenção e a coisa só piorou por que Duo arrancou o maldito computador e jogou longe fazendo cair em cima do sofá, mas o ato acabou fazendo com que o aparelho apagasse o relatório não salvo. " Se eu tivesse deixado as coisas como estavam... " Heero começou a despejar um monte de palavras grotescas... e Duo só lhe dizia que queria dois minutos de sua atenção... "Heero, escuta... tenho uma coisa importante pra lhe falar, mas preciso de sua atenção..." Eu estava transtornado e nem dei muita atenção em suas palavras, em uma determinada hora de minha fúria acabei lhe dando um soco no rosto e só retornei a realidade do que tinha acontecido quando vi as duas grandes ametistas derramarem lágrimas e um filete de sangue no canto daquela boca que tanto amava sentir... olhei para as mãos trêmulas de Duo e vi um embrulho ... um presente... como fui burro... "Duo...me des..." minha fala foi interrompida por um olhar de ressentimento e por algumas palavras..."Feliz Aniversário Heero... e... Adeus". Duo saiu do quarto correndo, meu peito se comprimindo ferozmente, como eu poderia ter esquecido... era o nosso aniversário... estávamos fazendo 2 anos juntos... Ainda fitando o teto lembro que tentei consertar a burrada que tinha feito, mas era tarde demais para isto e Duo pela primeira vez foi muito taxativo em suas palavras... "Heero... eu agüentei os seus maus tratos desde que nós nos conhecemos, você era frio, um cubo, tenho que admitir, mas me apaixonei por você perdidamente. Você sempre me tratou como se eu fosse um lixo, uma peça sem valor, algo que você poderia usar e jogar fora a qualquer hora. Por dois anos Heero, dois anos eu lhe dediquei TODO o meu amor, lhe ajudei a entender melhor o mundo a sua volta, mas vejo que todo esse esforço que tive, de nada adiantou... Você continua insensível comigo, só presto para lhe dar prazer quando você assim deseja e mais nada... então Heero, a partir de hoje, o nosso relacionamento está terminado. Vou procurar outro local para morar e deixá-lo em paz". Essas palavras ainda ecoam em minha mente...
When you cried i'd wipe away all of your tears
(Quando você chorava, eu ia limpar todas as suas lágrimas)
When you'd scream i'd fight away all of your fears
(Quando você gritava, eu lutava contra todos os seus medos)
And i've held your hand through all of these years
(E eu segurei a sua mão durante todos esses anos)
But you still have
(Mas você ainda tem)
all of me
(Tudo de mim)
Duo fitava a porta do quarto pensando se devia entrar ali novamente, afinal o dia de sua partida havia chegado, tinha conseguido um apartamento que poderia pagar sozinho e um emprego em outra empresa de Quatre. Sua mente vagava por tudo que tinha passado junto a Heero, quando este começou a se permitir a sentir, a ser invadido por sentimentos conflitantes. Veio a mente a primeira vez que viu Heero chorar como uma criança, chorava copiosamente até soluçando... sim, ele Duo Maxwell havia presenciado o homem gelo virar um ser humano. Duo abraçava Heero como se fosse uma mãe enxugando suas lágrimas, era uma coisa que sempre iria ficar gravado com Duo... outra lembrança veio a sua mente enquanto tocava a porta do quarto com o seu rosto... Heero a noite gritando enquanto sonhava com uma possível perda de tudo que acabara conhecendo... seus amigos, sua nova vida, e seu amor... sim... Heero gritava nos sonhos que amava Duo e que tinha medo de perdê-lo ... lembrava também que quando isto acontecia nos primeiros meses, Duo sempre o puxava para um abraço mostrando segurança e sussurrava em seu ouvido que todo estava bem, que ele estava ali com ele... Todo esse tempo, Duo sempre estava presente, ao lado de seu amado... Uma lágrima começara a verter de seus belos olhos violetas... "Heero..." Não tinha mais como voltar, teria que aprender a viver com isto, poderia amar Heero com toda intensidade, nunca o abandonaria definitivamente, sempre estaria velando por ele, só que de longe...
You used to captivate me
(Você costumava me cativar)
By your resonating light
(Com sua luz ressonante)
But now i'm bound by the life you left behind
(Agora eu estou preso à vida que você deixou para trás)
Your face it haunts my once pleasant dreams
(Seu rosto, ele assombra meus sonhos que eram tão prazerosos)
Your voice it chased away all the sanity in me
(Sua voz ela afastou toda a sanidade em mim)
Heero fechou os olhos por um momento, se lembrando como foi sendo cativado aos poucos pelo americano, seu jeito agitado, alegre, sua alegria que aos poucos foi contagiando a todos a sua volta e principalmente a ele também. Duo era sinal de luz, ele tinha sua luz própria e conseguia envolver a todos com ela; o Shinigami, o Deus da Morte não possuía escuridão e sim luz . Era tão forte e densa que aquecia. "Como farei sem você... sem a sua alegria... estou envolto em recordações que partilhamos... Todas as noites sonho com você voltando para mim dizendo que me perdoa... Duo..." Heero sempre sonha que consegue o perdão de Duo e se amam loucamente, mas quando acorda só encontra a dura realidade do abandono... Abro meus olhos quando escuto sua voz sussurrada atrás da porta... meu coração começa a bater intensamente, só por saber que você está aqui...
These wounds won't seem to heal
(Essas feridas não vão cicatrizar)
This pain is just too real
(Essa dor é bem real)
There's just too much that time cannot erase
(Há muita coisa que o tempo não pode apagar)
Minha mão se aperta envolta do presente que você tinha me dado, nosso presente afinal... Abro lentamente a minha mão e ao fitar novamente o que era para ter acontecido a uma semana atrás volto a chorar... Dor... muita dor... grito alto sem me importar por Duo estar atrás da porta..."Por que?? Duo... volta pra mim...onegai..." volto a me encolher como se fosse um bebê e olho para minha mão apenas para constar que as duas alianças estavam comigo... Sim... o presente de Duo era um pedido de casamento que acabei jogando por água abaixo com a minha estupidez ... Duas alianças especiais, uma com um pedra azul turquesa e outra com uma pedra violeta e os nossos nomes escritos entrelaçados... Eu nunca vou esquecer... nem sei se vou sobreviver, o tempo nunca irá apagar as lembranças que tenho de Duo...
I've tried so hard to tell myself that you're gone
Eu tenho tentado me conformar de que você não está mais aqui)
And though you're still with me[/b]
(Mas embora ainda esteja comigo)
I've been alone all along[/b]
(Eu tenho estado sozinho esse tempo todo)
Estou tão danificado por mim mesmo que ainda não consigo me conformar que perdi você, mas tenho que me esforçar e me conformar. Quatre sempre vem aqui para me ajudar, mas ele sabe que isto será tão difícil de ser superado... Sei que o dia da sua partida definitiva chegou, sinto isto dentro de mim... Mesmo eu tendo tantas lembranças suas a minha volta, no meu corpo, no meu coração e na minha mente... ainda assim... por mais duro que seja, estarei sozinho por resto de minha vida sem você ao meu lado. Estou tão cansado de chorar que sinto meu corpo sendo envolvido pela escuridão do sono e antes de ser levado, fito mais uma vez a minha mão aberta com as duas alianças ali juntas e antes de adormecer minha voz sai em um sussurro...
"Duo... me perdoa... Eu Te Amo..."
Owari ...?
Fim...?
Litha Youko // Quinta-feira, Abril 29, 2004
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Heiiii... Sonia... olha eu aqui mulher ^_____^
Vou colocar aquela minha song-fic aqui ok??
Volto ja ja...
Litha Youko // Quinta-feira, Abril 29, 2004
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Domingo, Abril 11, 2004:
Encontros e Despedidas.
Ele pegou o ônibus e foi ao encontro de seu pai. Ainda não acreditara em tudo o que aconteceu, estava abatido, com medo e com uma vontade enorme de pegar seu velho, coloca-lo no colo e nina-lo como fazia com seus filhos...
Deixou a mulher e as crianças em casa, não queria perturbar seu velho pai com as bagunças das crianças, talvez, na semana seguinte... talvez...
Mande notícias do mundo de lá,
Diz quem fica.
Me dê um abraço,
Venha me apertar,
Tô chegando.
Seu Gustavo estava esperando ansiosamente a chegada de seu único filho, será que ele tararia as crianças?????? Estava ansioso...
Era verdade que essa não era a maneira que imaginara rever o filho, não era num momento como esse que tantas vezes sonhara, mas como espírita que era, acreditava na sapiência divina e por isso, não se lamentava pelas circunstancias...
Já se passara anos da morte de Augusta, e a vida ali realmente estava muito sozinha.
Aprendera a viver sem Augusta, a não reclamar sua morte, a não querer morrer também, a partir do momento que começou a ler os livros espíritas que gentilmente, e as escondidas sua nora mandava pelo correio... tinha uma profunda afeição por aquela moça, já que ela não se ocupava somente no bem estar do marido e dos filhos, se preocupava também com o bem estar dele, um velho sozinho e revoltado...
Quando Augusta morreu, ele ficara muito revoltado. Não admitia o fato dela ter partido antes dele, ela era mais nova, tinha hábitos mais saudáveis do que o dele, e mesmo assim, foi-se antes...
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos,
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero.
Depois que recebeu os livros de sua nora, conseguiu, aos poucos, se acalmar, acreditar nas teorias escritas naqueles livros e, mais tarde ficar mais calmo... É certo, que não leu os livros num primeiro instante, demorou alguns meses para pegar no primeiro livro, não tinha vontade de ocupar sua mente com coisas que considerava bobagem... mas a menina, mesmo assim, entre uma ligação e outra, continuava mandando os tais livros... por fim, resolveu ler, não tinha mais nada pra fazer mesmo...
Leu um, dois, três livros... e se viu mais conformado com a ausência de sua companheira e cada vez mais, mais esperançoso em reencontra-la...
Todos os dias é um vai-e-vem,
A vida se repete na estação.
Ao pisar na rodoviária, lembrou de como era moço quando tinha saído dali, agora já era um homem...
Achou que fosse chorar, mas segurou as lágrimas... não queria encontrar o velho durão chorando, não queria que seu pai tivesse uma idéia errada a seu respeito, afinal, Seu Gustavo era um homem muito rígido, o tinha criado pra ser um verdadeiro homem, e assim se mostraria pra ele...
Pegou um táxi, e foi ao encontro do seu pai...
Não conseguia parar de pensar no que falaria pra ele, qual seria suas palavras... ficou o caminho inteiro imaginando em como o velho estaria passando por essa barra, mas sabia que ele estava forte, sempre fora, e não acreditava em nenhuma demonstração de sentimentalismo de seu pai... Talvez ele estivesse revoltado, como ficou com a morte da mãe, mas mesmo assim, com certeza Seu Gustavo faria de tudo para não demonstrar... estava preparado pra isso...
Tem gente que chega pra ficar,
Tem gente que vai pra nunca mais,
Tem gente que vem e quer voltar,
Alfredo saiu do caro, viu a velha casa de sua infância... estava tudo como da ultima vez que estivera lá, o jardim, o caminho de pedras... nem parecia que sua mãe havia morrido...
Olhou mais um pouco e viu, seu velho pai, agachado, cuidado das flores que antes eram tão cultivadas por D.Augusta, se surpreendeu com a cena e ficou ali olhando durante alguns minutos...
Seu Gustavo percebeu que havia alguém o observando, levantou o rosto, sorriu e correu para abraçar seu filho... No abraço, chorou... de saudades, de alegria, de satisfação por ter mais esse momento de paz em sua vida... Sem ter medo de mostrar seus sentimentos, deixou as lágrimas caírem frouxamente, sem se preocupar em molhar a camisa do seu filho...
Alfredo, sentiu o velho corpo franzino tremer em seus braços, as lagrimas quentes tem seu ombro e chorou amargamente... de medo, de tristeza, de remorsos por não ter sido mais compreensivo com o velho, por ter saído de lá depois de uma briga sem ter dado trégua nem mesmo no velório de D.Augusta, velório esse que ele só chegou em cima da hora, para não ter que conviver com o velho, assistiu ao enterro e voltou pra casa com sua esposa, não ficando nem um dia no antigo lar...
Passados alguns minutos de silencioso choro, se olharam e entraram na casa...
Tem gente que vai e quer ficar,
Tem gente que veio só olhar,
Tem gente a sorrir e a chorar.
E assim, chegar e partir
- Cadê Débora e as crianças? Não vieram?
- Não, achei melhor ficar ao menos um dia com o senhor, para que pudéssemos conversar... mas se quiser, posso mandar busca-las.
- Pois ligue já... Não quero morrer sem antes ver vinha família toda...
- Pai, você não vai morrer...
- É não vou, vou viajar... - falou rindo...
Alfredo não entendeu a mudança de humor repentina de seu pai, mas levantou-se, ligou para Débora, explicou que o velho queria toda a família com ele e mais uma vez perguntou se ela sabia porque ele estava tão mudado, já que sempre a pegava no telefone com ele...
Débora respondeu que a mudança de Seu Gustavo era pra ele mesmo perguntar e que já estava de malas prontas pra ir ao encontro dos dois junto com as crianças...
Alfredo voltou a sala e encontrou um café e alguns biscoitos sobre a mesinha de centro. Olhou o pai com certo espanto, pegou o café e vagarosamente começou a beber... estava mesmo precisando daquilo... embora tudo estivesse parecendo muito esquisito pra ele...
O pai, percebendo a surpresa do filho, resolveu começar a falar:
- Mudei tanto assim?
- O quê? - assustou-se Alfredo, quase se engastando com o café. Seu Gustavo sorriu e continuou...
- Já lhe disse milhares de vezes que seus olhos não enganam ninguém, e mesmo assim você teima em tentar enganar justamente seu pai... você realmente não tem jeito... - Falou mais sério.
Gustavo já estava ficando incomodado com aquelas palavras, colocou a xícara na mesa, lembrou das vezes que chorara com as broncas do seu pai sobre seu olhar, das vezes que tentou imita-lo em vão... Tentou revidar, mas não conseguiu...
- Nunca disse isso pra te ofender Alfredo, você é como sua mãe... tem os olhos de espelho, e eu nunca disse que isso era ruim... você que cismava em imitar a parte ruim da família - Respondeu os pensamentos de Alfredo.
- Mas você nunca disse se era bom ou ruim também!
- Alfredo, eu estou morrendo... quero dizer tudo que disse antes, mas não soube dizer direito...
- Pai! Você é mais forte do que eu... como pode ter tanta certeza nos que os médicos te disseram????????
- Nunca fui mais forte do que você e sua mãe, pelo contrario, sempre fui o mais fraco... você que nunca percebeu isso.
E ficaram ali, os dois, o resto do dia conversando, tentando colocar o tempo de ausência em dia, tentando desculparem-se pelos equívocos que provocaram um para o outro...
Seu Gustavo falou da revolta que sentira quando Augusta partiu, contou dos livros e ligações de Débora, de como os livros o tinham mudado, de como aprendera, de como tinha revisto seus erros... Alfredo escutava tudo com espanto e admiração, nunca imaginara que seu pai daria ouvidos às bobagens de Débora, ele mesmo nunca dera ouvido apesar das inúmeras tentativas da esposa...
São só dois lados da mesma viagem.
O trem que chega
É o mesmo trem da partida,
Débora chegou dois dias depois, teve que resolver os assuntos de trabalho, falar com a diretora o motivo da futura ausência das crianças...
Foram três dias de festa. Seu Gustavo ensinou o cultivo de plantas para as crianças, brincou e teve o prazer de ouvir a palavra vovô... Alfredo procurou os livros que Débora emprestara para o pai e como quem tem fome devorou um livro que normalmente levaria uma ou duas semanas parar ler...
Mas Seu Gustavo estava cada vez mais cansado, até que um dia, mesmo com a insistência das crianças, não conseguiu levantar...
A hora do encontro
É também despedida.
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar,
É a vida desse meu lugar,
É a vida.
Seu Gustavo morreu no dia seguinte, com lágrimas nos olhos disse que agora estava pronto pra seguir a sua viajem onde encontraria sua mulher. Junto com seus parentes, rezou, agradecendo a Deus a oportunidade de mudar seus erros, conhecer seus netos e reconhecer seu filho...
Música: Encontros e Despedias
Milton Nascimento e Fernando Brant.
SONIA SILVA // Domingo, Abril 11, 2004
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Sábado, Março 27, 2004:
Tanta Saudade
Era tanta saudade
É, pra matar
Eu fiquei até doente
Eu fiquei até doente, menina
Se eu não mato a saudade
É, deixa estar
Saudade mata a gente
Saudade mata a gente, menina
Já havia passado três meses que Rodrigo tinha chegado aquela cidade. Três meses de procura, de angustias e até agora nada... Ele ainda estava com muitas esperanças, ainda estava deslumbrado com as luzes, a correria e com o modo de como tudo ali corria, com pressa, com fervor, mas suas economias já estavam acabando, e se ele não tomasse uma atitude rápido, provavelmente teria que voltar para sua terra natal... e isso ele não queria.
Tinha saído de sua cidadezinha do interior, justamente pra isso... pra tentar seguir sua carreira de ator, e disso não abriria mão... embora estivesse quase sem grana, e com uma saudade imensa de sua mãe e seus irmãos, ele decidira que só voltaria, depois de ter conseguido seu intuito.
Havia passado para o curso de uma escola de teatro, escola essa que é uma das mais reconhecidas do Rio de Janeiro. Tinha conhecido alguns outros alunos, que como ele, também deixaram seus familiares e amigos atrás de um sonho, e assim, entre um papo e outro, conseguiu morar num apartamento de quarto e sala com mais dois rapazes e uma menina.
Morar naquela bagunça aliviava um pouco a saudade que tinha de seus irmãos... era divertido ficar assistindo a briga deles por coisas bobas, como uma pasta de dente... as vezes, quando essas brigas aconteciam, ele sentava e ficava observando, as vezes ria tão alto que a briga parava e os meninos, como ele chamava, riam junto com ele... E era assim que os quatros diminuíam um pouco as suas carências.
Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é mais além
Procurei uma saída
O amor não tem
Estava ficando louco
Louco, louco de querer bem
Teatro... desde a primeira vez que viu o circo, se apaixonara... quisera até fugir com eles, mas algo o prendia aquela cidade, ele até hoje não sabia explicar o que, mas graças a Deus, ele não fora. Hoje praticamente todos os artistas de circo estão passando fome, o circo já não é tão reconhecido no Brasil, não há mais lugares para a montagem das tendas... uma pena.
Decidiu então fazer um curso, desses livres, de interpretação... Nossa!!! Que delícia, havia descoberto sua verdadeira vocação, foi como um grande amor, uma grande paixão, e ainda é.
Conversou muito com sua mãe, e decidiram então, juntar dinheiro para que ele pudesse tentar seguir a carreira no Rio, sim, porque ali, onde moravam era pouco provável que ele conseguisse algo além de fazer teatros em colégios e parques, coisa que ele, já a essa altura, já tinha feito bastante.
Dois anos depois, conseguiu partir... A partida fora um misto de alegria e receios, como nesses romances baratos que se vende em banca de jornal, ou até como essas novelas mexicanas que hoje em dia passa tanto na TV. Ele iria, finalmente partir pra encontrar seu grande amor... mas não era uma pessoa, era um ofício... mas o sentimento era o mesmo.
Quis chegar até o limite
De uma paixão
Baldear o oceano
Com a minha mão
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração
Mas já tinha passado três meses, e nesses três meses ainda não havia ligado pra casa, nem carta tinha escrito... o dinheiro já estava acabando, a saudade doía, as possibilidades se esgotavam...
Não, ele não iria desistir agora, tinha mais alguns anos pela frente até terminar o curso, que mesmo sendo muito reconhecido, hoje se encontra com poucos professores, com poucas aulas, com poucos alunos... enfim, a arte, mesmo nos tempos modernos, ainda era para muitos, considerado algo supérfluo, sem valor...
Estava feliz ali, só a falta da família que, como hoje, apertava muito... mas ele iria continuar...
Mas voltou a saudade
É, pra ficar
Ai, eu encarei de frente
Ai, eu encarei de frente, menina
Se eu ficar na saudade
É, deixa estar
Saudade engole a gente
Saudade engole a gente, menina
Resolveu então comprar um cartão telefônico, comprou, e ficou horas ali parado, em frente a um orelhão, pensando no que diria, em como estariam sua mãe e seus irmãos.
Tentaria ser forte, não chorar, embora só de pensar as lágrimas já começavam a ameaçar a sair, mas tentaria não demonstrar sua solidão, sua saudade... ligaria somente pra ter noticias dos seus, e para dizer que estava bem, talvez pedisse desculpas por demorar a dar noticias. Contaria do curso e dos amigos que fez, de como aprendeu e de como a cada dia tinha mais amor pelo oficio.
Colocou o cartão, no orelhão, pegou o fone, discou o número...
Tocou umas três vezes, que para ele parecia a eternidade, o coração acelerava cada vez mais... Como não ligou antes????? Que filho mais desalmado estava demonstrando ser... começou a se sentir culpado... e o telefone finalmente alguém atendeu...
- Alô?????? - alguém falava do outro lado...
- Mãe? Sou eu... Rodrigo - falava já com a voz embargada pelas lagrimas teimosas...
- Meu filho... - já chorava a mãe do outro lado... - que saudades... como você está???
- Estou bem mãe, só estou sentindo falta da sua comidinha - ria e chorava ao mesmo tempo...
Ficaram alguns minutos falando e chorando. Recebera de sua mãe todos os conselhos, todas as broncas, ria, chorava... e aliviava a alma...
- Mãe, eu volto...
- Eu sei meu filho... mas só me volte aqui depois que for um ator de verdade, não se abandona um sonho assim... você vai conseguir, rezo todos os dias por vc...
- A benção mãe.
- Deus te abençoe, me filho... Deus te proteja.
O cartão acabou, ele desligou e voltou para o apartamento onde morava... certo de que tudo aquilo era só um momento, era só o começo do caminho... e feliz, muito feliz por estar ali...
Ai, amor, miragem minha, minha linha do horizonte, é monte atrás de monte, é
monte, a fonte nunca mais que seca
Ai, saudade, inda sou moço, aquele poço não tem fundo, é um mundo e dentro
um mundo e dentro um mundo e dentro é um mundo que me leva
Música: Tanta Saudade
Chico Buarque
SONIA SILVA // Sábado, Março 27, 2004
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Sábado, Março 20, 2004:
" Vai se você precisa ir
Não quero mais brigar essa noite,
Nossas acusações infantis...
E palavras fulgazes, que machucam tanto..."
Ela agora estava sozinha, sentada no sofá, olhando o teto. Nunca imaginara que sua vida se tornaria nessa rotina de brigas e discussões, era a ultima coisa que ela queria ao ter saído de casa. Ele, provalvelmente a essa atura, estaria num bar qualquer... Quem sabe conversando? Rindo, contando piada e cantando as menininhas de sua idade?
Sim, por mais que negasse, ficava roxa só de pensar em vê-lo com outra menina... Tinha um certo receio de ser trocada por uma menina mais nova, afinal, ele é uns 20 anos mais jovem que ela.
Quando resolveram morar juntos, foi um escandalo... sim porque, mesmo com toda essa modernidade, com toda a evolução cibernética, as pessoas ainda se supreendem com uma mulher, que mesmo beirando os cinquenta anos, tenha um relacionamento com um rapaz de vinte e tres anos...
"Vai, clareia um pouco cabeça,
já que você, não quer conversar...
vou ficar aqui com um bom livro
ou com a TV..."
Lutaram juntos, venceram os preconceitos dos filhos dela, ela até passara um tempo sem poder ver a netinha que gostava tanto, mas com o tempo acabaram provando que o relacionamento deles era uma coisa séria, já estavam juntos há 5 anos e hoje tudo o que passaram não fazia mais nenhuma importancia, estavam juntos, venceram e estavam em paz...
Paz.. taí uma coisa que ninguém na sua familia poderia descobrir... desde que passaram a morar juntos, paz era uma coisa que ela não tinha.
Com o tempo e a convivência diária, passaram a brigar, discutir as vezes por coisas bobas, mas o fato era que ela não conseguia se desvencilhar da sua insegurança em relação a grande diferença de idade, e ele não conseguia viver as custas dela. Sim, ele não era um vagabundo, trabalhava arduamente todos os dias em uma grafica, mas seu salário nunca era o bastante para manter as despesas da casa, despesas essa que na maioria das vezes, ela que pagava.
Moravam em um belo apartamento, na Zona Sul do Rio, tinham o previlégio da praia e a comodidade de ter tudo bem perto, mas isso custava muito caro pra ele, ainda mais porque sempre fora criado com muitas dificuldades, trabalhando desde a mais tenra idade, e foi numa dessas empresas que a conheceu.
Ele sempre foi um rapaz bonito e cordata, agravada a todos por sua simpatia... e isso, junto com seus olhos de menino perdido havia encantado a ela...
Ela era uma das socias da empresa, alegre, bonita e despojada... tinha um sorriso franco e um perfume que o fazia perder os sentidos, sua força e inteligencia haviam pela primeira vez com medo de se apaixonar... ele só estava acostumado com suas namoradinhas, muito bobas e ingenuas, o que era facil, para ele de administrar... mas uma mulher feita, isso pra ele era perigoso.
" Sei que existe alguma coisa incomodando você,
meu amor, cuidado com a estrada,
e quando você voltar..."
Ela sabia dos medos que ele tinha, e as vezes, até forçava uma situação para deixa-lo mais inseguro. Tudo isso pra não deixa-lo saber sobre o seu proprio medo de ser trocada... mas agora era tarde, forçara demais... ele se fora...
Melhor seria tentar dormir, tomar um calmante talvez... e foi o que fez...
"Tranque o portão,
Feche as janelas,
Apague a luz..."
Já era tarde qdo ele voltou, entrou devagar, nem acendeu as luzes... imaginou que ela estaria no sofá a sua espera... ficou decepcionado quando não a viu ali, como da outras vezes. Foi para o quarto com um medo enorne de não encontra-la, por mais que brigassem, sabia que ela o amava... e a amava também... só saira pra fazer ciumes, mas ficou por ali, dando volta com o carro... e quando achou que já tinha passado tempo suficiente, voltou...
A viu dormindo, ficou algum tempo a observando, abaixou e beijou de leve sua testa. Sussurou baixinho um eu te amo e foi deitar-se...
"E saiba que te amo..."
Ela, quando percebeu que ele já havia deitado, suspirou e enfim, conseguiu dormir...
Música:
Quando você voltar
Legião Urbana
SONIA SILVA // Sábado, Março 20, 2004
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tá montado...*rs
SONIA SILVA // Sábado, Março 20, 2004
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